Para que ela saiba o valor de sua permanência.
Há algo estranhamente bonito em quando entendemos que tudo acaba.
Todo o presente com você adquire um valor exorbitável e tudo se torna um presente - me perdoe o trocadilho - realmente.
Há, na certeza do fim, um poema implícito que deixa todas as palavras trocadas em conversas significativas.
A vida carrega o segredo de quando nosso prazo de validade irá expirar, e nós, perdidas nesse oceano de possibilidades, completamente cegas do que vai ser, e mesmo marinheiras experientes de mares turbulentos proporcionados pelas nossas histórias de vida individuais, sentimos o frio na barriga, o medo gelado percorrer nossas espinhas enquanto nos beijamos e abraçamos.
Tiramos sarro com a cara do "que será" e flertamos com o risco de se morrer de amor.
Não é algo bonito, Gabi? Não saber o que vai ser?
Assim, sabendo que o tempo sempre estará contra a gente, eu passo o meu a te observar para que nada seja perdido nos milésimos de segundos das minhas piscadas.
O cheiro, a textura, a voz e o sabor. Eu decorei. As curvas, dobras e manias.
Tudo me é valioso pois eu sei que vai acabar.
"A gente é feito pra acabar", Gabilela.
Ser orgânico se tem um preço alto, mas também me permite sentir o que sinto por você.
Eu acho justo então essa troca.
Se posso viver, agora, essa sensação bonita de construir lembranças com você mesmo com a finitude nos cercando o tempo todo, eu aceito o acabar.
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