Para que ela saiba o valor de sua permanência.
Há algo estranhamente bonito em quando entendemos que tudo acaba. Todo o presente com você adquire um valor exorbitável e tudo se torna um presente - me perdoe o trocadilho - realmente. Há, na certeza do fim, um poema implícito que deixa todas as palavras trocadas em conversas significativas. A vida carrega o segredo de quando nosso prazo de validade irá expirar, e nós, perdidas nesse oceano de possibilidades, completamente cegas do que vai ser, e mesmo marinheiras experientes de mares turbulentos proporcionados pelas nossas histórias de vida individuais, sentimos o frio na barriga, o medo gelado percorrer nossas espinhas enquanto nos beijamos e abraçamos. Tiramos sarro com a cara do "que será" e flertamos com o risco de se morrer de amor. Não é algo bonito, Gabi? Não saber o que vai ser? Assim, sabendo que o tempo sempre estará contra a gente, eu passo o meu a te observar para que nada seja perdido nos milésimos de segundos das minhas piscadas. O cheiro, a textura, a voz e...